“Não vemos razões para sermos otimista em relação à situação da liberdade de imprensa no país”, diz diretor da RSF

A queda do Brasil no Ranking Mundial de Liberdade de Imprensa elaborado pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) é mais um sinal de alerta para a deterioração das condições de trabalho da mídia no país. O Brasil está em 105º lugar, três posições abaixo em relação ao ano anterior, em uma lista que analisa 180 países. A classificação é a pior que o Brasil ocupa desde 2015. Convidado do 11º Fórum Liberdade de Imprensa & Democracia, que será realizado no dia 2 de maio pela Revista e Portal IMPRENSA, em Brasília, Emmanuel Colombié, diretor para a América Latina da RSF, atribui essa deterioração a alguns fatores específicos. No aspecto estrutural, destaca “as deficiências de pluralismo e diversidade” e “excessiva concentração na propriedade dos meios de comunicação”. Ao mesmo tempo, a intensificação de uma estratégia política que busca desacreditar a mídia utilizando táticas de desinformação e incitando discursos de ódio e violências contra a imprensa contribui para a intensificação do problema. “A forte polarização política, já bastante presente no país, tomou os contornos de uma guerra ideológica cada vez mais explícitos. Nesse cenário, os jornalistas são alçados sistematicamente a personagens desse confronto e se tornam consequentemente alvos para os campos opostos”, ressalta Colombié.  E a eleição de Jair Bolsonaro para a presidência do país em nada contribui para uma perspectiva de que esse quadro seja revertido em curto prazo, acredita o diretor da RSF. “Entendemos que a eleição de Jair Bolsonaro, após uma campanha marcada por discursos de ódio, desinformação, ataques à imprensa e desprezo pelos direitos humanos, é um prenúncio de um período sombrio para a democracia e a liberdade de expressão no país. Não vemos razões para sermos otimista em relação à situação da liberdade de imprensa no país”, diz.  Para Colombié, é importante que as autoridades compreendam a gravidade do cenário e tomem atitudes efetivas para tentar reverter a situação. “É fundamental que haja um reconhecimento por parte do Estado que a temática da violência contra profissionais de imprensa no país está instalada e se tornou algo sistêmico. Essa situação pede a adoção de práticas e políticas públicas específicas voltadas para a prevenção, a proteção e o combate à impunidade nos casos de violações graves”, explica o executivo.               Emmanuel Colombié, diretor para a América Latina da RSF. (Foto Divulgação).

Deixe uma resposta